Ciclo de conferências “Jornalismo em tempos de crise”

O ciclo de conferências “o jornalismo em tempos de crise” é uma iniciativa do Fórum de Jornalistas dedicada à promoção da reflexão sobre os desafios decisivos que actualmente se colocam à profissão e ao sector da comunicação social.

Em seis painéis temáticos, divididos por três fins-de-semana, propomo-nos a debater as novas tendências do jornalismo, num contexto de quebra do mercado publicitário e de menor rentabilidade dos projectos editoriais, ao mesmo tempo que é necessário dar resposta a uma procura cada vez mais eclética e exigente por parte dos leitores.

Tendo em conta os recentes processos de reestruturação em curso em diversas redacções, dedicamos igualmente um painel às regras laborais e aos limites da legalidade que se impõem sobre as modalidades de despedimento e as propostas de renegociação salarial que têm sido avançadas.

A organização dos debates é a que se segue, sendo oportunamente divulgadas as datas finais e os oradores de cada painel.

Painel I
Gerir jornais numa era de declínio: uma missão impossível?
Ainda sou do tempo em que as pessoas comuns compravam três jornais por dia. Há 25 anos era assim. Hoje é […] uma imprensa pouco mais que virtual. Como sobrevivem certos jornais?

Eduardo Pitta, blogue Da Literatura

Com o número de leitores a diminuir e as receitas de publicidade a caírem, a gestão editorial dos jornais tem mudado em todo o mundo – e Portugal não é excepção. Os jornais empregam cada vez menos jornalistas, têm menos páginas, cobrem menos temas e estão mais frágeis perante eventuais pressões de fontes e de anunciantes.

Neste painel convidamos directores, ex-directores e donos de jornais a juntarem-se a um especialista em audiências para debater como se gere a imprensa hoje em Portugal. Como se decidem os principais temas a cobrir e as áreas a ignorar? As vendas são o principal critério? O que vende na edição em papel? E no online? Como se contraria uma pressão editorial feita por um anunciante de peso? A fragilidade financeira dos jornais torna mais difícil gerir as pressões? Os jornais têm hoje menos qualidade do que no passado ou mesmo com a crise a crítica é um mito? Os leitores não encontram nos jornais o que procuram? Até que ponto um director aceita cortar no número de pessoas?

Painel II
Os jornais podem voltar a ser um bom negócio? 

Prejuízos acumulados (aqui podemos somar o total que tirarmos dos relatórios), cortes de pessoal (há um total de despedimentos? Se não houver podemos resumir 2011 e 2012), cortes de custos, seguidos de mais cortes de pessoal e de custos – e de receitas incertas na banca e na internet. É este o panorama com que nos deparamos na imprensa. Embora se conheçam mal as contas dos jornais, parece evidente que o momento não é convidativo para o investimento em jornalismo.

Para este painel desafiamos investidores, empresários e fundações a debater se pode voltar a haver valor comercial no jornalismo de qualidade num país pequeno e com poucos leitores. Porquê investir em media? O que precisaria um negócio de media para que o financiasse? Qual o papel do custom publishing na imprensa no futuro? Para onde está a caminhar o negócio do jornalismo? Que papel para as fundações ou para o público no financiamento do jornalismo de qualidade?

Painel III
Workshop sobre direito laboral no jornalismo
A mudança estrutural no sector dos media implica alterações profundas ao nível das redações. Os jornalistas estão, assim, na primeira linha quando se trata de aplicar medidas que visam reduzir custos, seja através de despedimentos, seja através de reduções na massa salarial.

Esta sessão, em formato de workshop, contará com a presença de juristas que conhecem de perto a realidade laboral. Juntos vão tentar responder a questões e a dúvidas sobre casos concretos que surjam durante o debate.

Alguns exemplos. Até onde pode ir uma empresa na redução de custos? Ajustar os recursos humanos é a única forma de se conseguir manter postos de trabalho? Os jornais são iguais a outras indústrias? Que experiências deste tipo de reestruturações existiram nas crises mais recentes? Resultaram? Que direitos têm os trabalhadores? Quais as razões evocadas pelos empregadores? Há estratégias negociais testadas que tenham trazido benefícios para ambas as partes? Como negociar?
Painel IV
Que desafios para os jornalistas e para o jornalismo?
A mudança profunda do jornalismo é ditada pelas alterações tecnológica e de consumo e pelo advento da internet. O ponto de partida para esta sessão é pensar no jornalismo em múltiplas plataformas e em como é que os novos media, com o seu imediatismo e capacidade de reacção, estão a mudar por dentro o jornalismo como um todo.

Na sessão, vários profissionais, com diferentes experiências e sensibilidades, dos media tradicionais aos novos formatos, tentarão dar respostas às seguintes questões:

Quanta flexibilização pode haver perante pressões de rapidez ou de produção para as múltiplas plataformas? As plataformas mudam. E os princípios do jornalismo? Os conhecimentos e as competências que dantes eram decisivas para a prática de um jornalismo exemplar também estão a mudar?

Painel V
O que é que os consumidores querem?
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades dos leitores e consumidores de informação? O que os atrai num mundo de excesso de informação? Qual o real valor da informação? Que tipos de propostas editoriais as pessoas estão, de facto, disponíveis para pagar? O que consomem no online e no papel? Será que os consumidores querem criar comunidades para costumizarem a “sua” informação?

Este será a sessão dos leitores e dos que fazem da informação e da sua disseminação a matéria prima para trabalhar. Eles serão a voz do lado da procura no enorme mercado dos media e da informação de massas.

Painel VI
Como estão e vão mudar os órgãos de comunicação social? – Um inquérito às posições de chefia em Portugal
Como evoluíram as redacções nos últimos anos e que segurança temos relativamente aos próximos cinco? Que impacto estão a ter as transformações tecnológicas nas notícias? E nos jornalistas, que novas competências lhes são exigidas? As barreiras entre o jornalismo e a publicidade estão ameaçadas? E qual a importância de um jornalismo mais especializado?

É para estas e outras perguntas que será pedida a opinião a jornalistas em cargos de responsabilidade editorial através de um inquérito a ser realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica. Os resultados serão apresentados no último painel procurando dar mais um pequeno contributo para a caracterização da forma como o jornalismo é hoje feito em Portugal perante uma crise económica e editorial sem precedentes.

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