Há empresas de media com objectivo de influência política e branqueamento de capitais

Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, não citou casos actuais. Mas garantiu que há empresas dispostas a perder dinheiro na comunicação social com outros objectivos.

in: Jornal de Negócios Online

[Ler intervenção de Francisco Pinto Balsemão na íntegra]

Há investidores na comunicação social, a perder dinheiro todos os anos, porque têm outros objectivos, como o de influência política, preparar terreno para outros negócios, branqueamento de capitais. A acusação foi feita por Francisco Pinto Balsemão, no sábado passado, numa intervenção realizada na Conferência “Jornalismo em Tempo de Crise”, organizada pelo Fórum de Jornalistas.


“A (triste) realidade é que quem tenha muitos milhões (ou, melhor ainda, consiga que a banca lhe empreste muitos milhões, mesmo que não faça tenções de os pagar) pode gastar alguns milhões por ano em empresas de comunicação social que nunca ganharão dinheiro, mas cujos media serão úteis ao cumprimento de objectivos dos milionários proprietários. E esses objectivos, como sabem, podem ser de influência política, de preparação do terreno para outros negócios noutras áreas, de promoção social e cultural, de branqueamento de capitais, etc., etc”, afirmou Pinto Balsemão, o “patrão” da Impresa e presidente executivo desse grupo proprietário da SIC, Expresso, Visão, entre outros.

Para Pinto Balsemão, “em Portugal, existem empresas de comunicação social que não dão lucro e subsistem durante anos, falseando o funcionamento do mercado”. Não citou exemplos actuais. “Mesmo não falando da concorrência desleal da RTP, basta recordarmo-nos, para não citar exemplos actuais, do Dia ou do Semanário e dos anos que levaram até fechar, para nos interrogarmos como, porquê e ao serviço de quem essa sobrevivência foi assegurada”.

Para o “patrão” da Impresa, a Autoridade da Concorrência e a ERC deveriam actuar, “mas duvido que o façam”. Também os jornalistas, através do Conselho de Redação e do Estatuto Editorial, “detêm instrumentos relevantes de intervenção e de denúncia”, mas, acrescenta Balsemão, “até agora, não vi nada – a vida está difícil e os empregos são um bem escasso”.

O tema, aliás, percorreu as duas sessões destas conferências, que continuarão no próximo dia 17 de Abril. Pedro Santos Guerreiro, director do Negócios, garante que as tentativas de controlo têm de ser impedidas por jornalistas “denunciando”. Pedro Norton, vice-presidente da Impresa, acredita mesmo estamos num “momento perigoso que não diz respeito só ao emprego, à economia e ao sector, mas à sociedade como um todo”.
Para Pinto Balsemão, “para serem um negócio sustentável, as empresas de comunicação social precisam ter lucros, ganhar dinheiro. Se não, numa economia de mercado, terão de fechar. Ou então perdem independência editorial, porque o dinheiro que compensa os prejuízos há de vir de algum lado e nunca vem desinteressada ou inocentemente”.
O “patrão” da Impresa falou dos desafios que hoje enfrenta a comunicação social e da concorrência que vem de gigantes como a Google ou o Facebook. “Grande parte do enorme crescimento da publicidade na Web, não vai para os meios de comunicação social. Vai para o Google e similares”, acrescentou.

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