Sindicato “repudia” despedimento colectivo no Económico

In: Sindicato dos Jornalistas

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas manifesta o seu mais vivo repúdio pelo processo de despedimento colectivo em curso no “Diário Económico” e acusa a empresa de fazer tábua rasa da liberdade negocial.

Segundo o SJ, em comunicado divulgado esta tarde, a empresa notificou formalmente seis jornalistas de que se encontram abrangidos por um processo de despedimento colectivo. Os agora visados tinham rejeitado o processo dito de “rescisões por mútuo acordo”, que abrangia 28 trabalhadores escolhidos arbitrariamente.

Contestando o processo de despedimento, tanto nos métodos como nas motivações da empresa, o SJ faz notar que os “argumentos de dificuldades económicas e conjunturais, com a quebra de receitas, as perspectivas de evolução do mercado e a “concorrência feroz”, como argumenta a empresa, não podem ser aceites, pois o “Diário Económico”, além de nem sequer alegar prejuízos, faz parte de um grupo poderoso – a Ongoing –, que não está propriamente “à míngua” de recursos próprios nem incapaz de suportar os encargos do jornal”.

É o seguinte o texto, na íntegra, do comunicado do SJ:

SJ rejeita despedimento colectivo no “Diário Económico”

1. Seis jornalistas ao serviço do “Diário Económico” que ousaram resistir ao processo de “rescisões por mútuo acordo”, que abrangia 28 trabalhadores escolhidos arbitrariamente pela empresa, começaram a ser formalmente notificados de que se encontram abrangidos por um processo de despedimento colectivo.

2. A Direcção do Sindicato dos Jornalistas saúda a resistência, a coragem e a determinação desses camaradas, e manifesta fraterna solidariedade, reiterando o apoio à justa defesa dos seus direitos e interesses, rejeitando o processo de despedimento, tanto nos métodos como nas motivações da empresa.

3. Em relação aos métodos, sublinhe-se a estratégia de compressão absoluta da pretensa liberdade negocial, de que a empresa faz tábua rasa de forma despudorada: quem não aceitou o “negócio” do despedimento, há-de ir para a rua de outra forma!

4. Acresce que os trabalhadores foram seleccionados através de uma avaliação secreta, de cuja existência os jornalistas não tomaram conhecimento e muito menos foram ouvidos, em violação dos seus direitos fundamentais e por isso desprovido de legalidade.

5. Também os argumentos de dificuldades económicas e conjunturais, com a quebra de receitas, as perspectivas de evolução do mercado e a “concorrência feroz”, como argumenta a empresa, não podem ser aceites, pois o “Diário Económico”, além de nem sequer alegar prejuízos, faz parte de um grupo poderoso – a Ongoing –, que não está propriamente “à míngua” de recursos próprios nem incapaz de suportar os encargos do jornal.

6. De facto, a Ongoing possui importantes participações sociais, não só em Portugal (além da comunicação social, detém mais de 10% da Portugal Telecom, detém ainda uma participação qualificada no Espírito Santo Financial Group, e, entre outros, gere interesses nos sectores imobiliário, infra-estruturas e energia), mas também em vários países do Mundo e ontem mesmo foi anunciado que fechou a compra do importante portal brasileiro “iG”, segundo noticiou o próprio.

7. O Sindicato dos Jornalistas, que deverá intervir no processo de despedimento colectivo, desafia desde já o “Económico” a colocar claramente sobre a mesa, para a fase de informações e negociações, todos os dados necessários à avaliação da situação real e concreta da empresa e do grupo em que se insere, bem como a demonstrar que, mesmo em situação de crise como a que alega, o Grupo Ongoing não tem condições para suportar o jornal.

8. O SJ reafirma o seu apelo à Ongoing e a todas as empresas para que não aproveitem o pretexto da crise para forçar o emagrecimento das redacções, mas que, pelo contrário, reanimem e reforcem a capacidade de trabalho dos jornalistas e de outros trabalhadores, valorizando os órgãos de informação como instrumentos de combate à própria crise. Em épocas de crise, os media devem ser parte da solução e não vítimas do problema!

Lisboa, 19 de Abril de 2012

A Direcção

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