80% dos gregos não vêem os media como objectivos (e o Syriza tem as suas queixas)

Segundo uma sondagem publicada pela revista Mono e citada pelo jornal The Miami Herald num artigo do fim-de-semana, mais de 80% dos gregos não vêem os meios de comunicação do seu país como objectivos.

“Apesar de a Grécia ter alguns excelentes jornalistas de investigação e vários rebeldes que desafiam o sistema, a ausência de um ethos dominante de jornalismo independente ajudou o Governo a exagerar o nível de preparação da Grécia para adoptar o euro, e, mais tarde, a evitar a consciencialização pública de que estava a mentir à União Europeia sobre o seu défice”, escreve o jornal, a partir de uma conversa com George Pleios, chefe do Departamento de Comunicação da Universidade Nacional de Atenas.

O Syriza (Coligação da Esquerda Radical) tem as suas próprias queixas. Passou de partido pequeno, e quase desconhecido em muitas capitais europeias, para surpresa das legislativas de Maio na Grécia – as eleições gregas mais seguidas de sempre a nível europeu, por força da crise económica e do debate aberto em torno da permanência do país na zona euro.

Os gregos já voltaram às urnas, no domingo, e os vencedores, os conservadores da Nova Democracia, estão em conversações para formar Governo com os socialistas do PASOK (terceiro partido mais votado). Para trás fica uma campanha polémica e ficam muitas das propostas do Syriza, que voltou a ficar em segundo, incluindo as que visavam “abolir a relação confortável há muito existente entre proprietários de empresas de media e políticos, e o fim da prática de pagamentos dos governos a jornalistas individuais”, escreve o Miami Herald.

A falta de confiança parte de diferentes motivos. O Syriza denuncia a existência de “milhares de jornalistas com conflitos de interesse e 500 a 600 que estão ou estiveram nas folhas de pagamento de uma agência do Governo”. O Herald enumera alguns exemplos de cobertura negativa sofridos pelo partido antes das eleições de 6 de Maio, descrevendo “o desdém” com que “até os media mais respeitados trataram o partido”.

“Se tivéssemos noção de que haveria esta subida de popularidade, teríamos estado atentos [ao Syriza] muito mais cedo”, diz Nikos Konstandaras, director do diário Kathimerini.

Pleios, o professor universitário que dirige um instituto dedicado ao estudo das televisões gregas, nota que a influência do Governo pode ser subtil. Os nove canais nacionais operam sem pagar licenças, ao mesmo tempo que o Estado compra publicidade em todo o tipo de meios “de uma forma não transparente”, refere. As televisões, diz Pleios, “dependem da boa vontade do Governo”. Para além disso, “os media ganham o apoio de líderes políticos que, em troca atribuem contratos públicos às empresas mães” dos proprietários dos grupos de media, que podem ser grandes industriais ou magnatas da navegação.

No ranking da Liberdade de Imprensa da organização Freedom House, a Grécia surge em 65º lugar, a par de Israel e a um passo de ser “parcialmente livre” – mas com os seus media ainda descritos como “livres”. A Freedom House não fala das ligações políticas, mas refere a existência de “auto-censura”, “temas étnicos sensíveis”, “ataques da polícia a jornalistas”, assim como a dificuldade de financiamento na actual crise como os principais obstáculos a uma maior liberdade do jornalismo grego.

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