Manifesto contra “perfeita loucura” de privatizar a RTP

“Neste momento é uma perfeita loucura abrir mais um canal. As televisões estão a fazer preços muito baixos para a publicidade, enquanto os jornais e as rádios vivem uma profunda crise”, afirmou à agência Lusa António Pedro Vasconcelos, um dos promotores do manifesto contra a privatização da RTP dado a conhecer no fim de semana. “Não se percebe o que se quer, nem porquê, nem para quê. Todo o processo tem contornos obscuros”, acrescentou o realizador.

O manifesto deverá estar disponível na internet para recolha de assinaturas esta semana e conta com o apoio inicial de 30 pessoas de vários quadrantes. Alguns deles são Daniel Oliveira, Bagão Félix, Januário Torgal Ferreira e Narana Coissoró.

Aqui fica a peça da Lusa (via DN):

Manifesto contra privatização da RTP visa “travar processo”

por Lusa, publicado por Ricardo Simões Ferreira

O realizador António Pedro Vasconcelos, um dos responsáveis pelo “Manifesto contra a privatização da RTP”, revelou hoje à agência Lusa que o documento pretende travar “um processo sem sentido e de contornos obscuros”.

O manifesto a favor do serviço público prestado pela empresa foi hoje publicado no semanário “Expresso”, e acompanhado por cerca de 30 apoiantes de várias áreas da sociedade, desde José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, o professor universitário Narana Coissoró, o bispo Januário Torgal Ferreira, o jornalista Daniel Oliveira e o economista e ex-ministro Bagão Félix.

Contactado pela Lusa, António Pedro Vasconcelos explicou que foi um dos iniciadores e redatores do documento posto a circular entre diversos contactos, mas que, entretanto, recebeu a adesão de mais trinta apoiantes.

“O objetivo é colocá-lo na Internet já na próxima semana e recolher assinaturas de pessoas que apoiem estas posições em defesa da RTP e do serviço público”, indicou.

O passo seguinte, entre outras iniciativas que futuramente poderão ser realizadas, vai ser levar o manifesto à Assembleia da República, porque os responsáveis da iniciativa defendem um debate alargado sobre a empresa pública de televisão.

“Não é uma iniciativa partidária nem contra este Governo. Há pessoas do PSD e do CDS que concordam, mas não assinam por razões óbvias. É um manifesto contra a ideia de privatização de um canal”, garantiu, recordando, no entanto, que a privatização “é uma reincidência de um Governo do PSD, quando o ministro Morais Sarmento era responsável pela tutela dos media, mas depois deixou cair a ideia, e até ajudou a recuperar a RTP”.

António Pedro Vasconcelos estranha que “um Governo do mesmo partido não tenha aprendido a lição”, e comentou que “não se percebe o que se quer, nem porquê, nem para quê. Todo o processo tem contornos obscuros”.

“Neste momento é uma perfeita loucura abrir mais um canal. As televisões estão a fazer preços muito baixos para a publicidade, enquanto os jornais e as rádios vivem uma profunda crise”, sustentou o cineasta.

Vasconcelos indicou que nunca foi funcionário da RTP, mas tem uma ligação de décadas à empresa, tendo colaborado em vários projetos de filmes, em programas, e também como membro do Conselho de Opinião.

“Neste momento desvinculei-me de qualquer programa para que não venham dizer que estou a defender a RTP por ter algum ‘tacho'”, observou.

Explicou que há muitos anos se interessou pelo impacto das televisões na sociedade, sobretudo quando se apercebeu, a dada altura, que os portugueses iam, em média, duas ou três vezes por ano ao cinema, mas passavam duas a três horas por dia a ver televisão.

“Obviamente que isto tem um impacto na formação das pessoas, e é aí que o serviço público é fundamental”, defendeu.

No manifesto é defendida a manutenção da empresa, mas “desgovernamentalizada, deixando de ser o Governo a nomear a administração, para garantir a sua independência”.

António Pedro Vasconcelos considera também “ridícula” a inclusão da RTP na lista de empresas a privatizar porque “daria um valor irrisório” ao Estado.

“Queremos um debate sério sobre a RTP e o serviço público. Queremos saber exatamente o que o Governo quer fazer”, acrescentou, vincando que o documento visa essencialmente “apelar ao bom senso” do Executivo.

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