A importância da atribuição de créditos está a mudar?

Ao contrário do que afirmou publicamente, Mitt Romney, o candidato Republicano à Presidência norte-americana, terá ficado até 2002 como Presidente e director executivo (com 100% do capital) da empresa de investimentos (“Bain Capital”) que concentra o seu património, isto quando havia já garantido por várias vezes ter deixado a liderança em 1999 (para gerir os Jogos Olímpicos de Inverno em Salta Lake City).

A polémica está lançada e não se ficou na política, chegou também à história em si, por via de uma discussão sobre que órgão de comunicação social chegou primeiro à mentira de Romney, e de como tal foi, ou não, devidamente atribuído.

A história apareceu em toda a sua força na passada quinta-feira no Boston Globe, que conseguiu chegar a declarações oficiais à “CMVM local” (SEC) que confirmam Romney não só como Presidente da Bain Capital em 2002, mas também em controlo de cinco entidades do universo da empresa no início desse ano.

O problema é que antes do Boston Globe, pelo menos duas outras publicações (Talking Points Memo e Mother Jones) tinham já avançado com informação semelhante referente a 2000 e 2001, como reporta o POLITICO, que ouve as várias partes.

Para David Corn, do Mother Jones, o acontecimento reflete culturas diferentes entre jornalismo tradicional e jornalismo online – no segundo atribuem-se créditos como parte do processo de criação naturalmente iterativo, no segundo não, defende:

In the former [“Jornalismo web”], you tend to do link-outs to indicate to readers what’s been done on the story before and to show how you are advancing that story. This highlights the iterative nature of Web journalism. In the latter [“Jornalismo tradicional”], you tend to ignore other work and present yours as appearing in a vacuum. Remember the days when The New York Times and Washington Post would often ignore (or try to ignore) each other’s scoops as if to send a message: If we didn’t discover this, it doesn’t exist.

O Boston Globe defendeu-se afirmando que se tratou de um erro de edição e acabou por alterar a história na versão online para incluir links para o TPM e MJ.

Esta história surge a partir de post de Jay Rosen que analisa o episódio de Romney reflectindo sobre o jornalismo perante uma situação de mentiras políticas permanentes. Vale a pena ler.

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