Associated Press restringe interação de jornalistas nas redes sociais

A Associated Press (AP) divulgou esta semana novas regras para os seus jornalistas interagirem nas redes sociais. Recomendações que vão desde a cobertura de acontecimentos em direto no Twitter, até aos ‘likes’ a políticos no Facebook.

A AP vê as redes sociais como uma extensão do trabalho e não como um espaço pertencente à vida privada. A agência exige aos jornalistas que não revelem nos seus perfis preferências partidárias, nem façam posts que expressem opiniões políticas.

Para o Twitter, são criadas várias regras. Além de estarem proibidos de partilharem a sua opinião, os jornalistas que estejam a cobrir um acontecimento em direto não devem ‘twittar’ nenhuma notícia antes de a enviarem para a redação para ser publicada.

Quanto ao relacionamento com as fontes, a AP não impede os jornalistas de fazerem pedidos de amizade ou ‘likes’ no Facebook – ‘follows’ no Twitter – a políticos e outras fontes. No entanto, avisa que essa ligação pode ser interpretada de forma errada por quem não esteja familiarizado com a utilização de redes sociais.  Nesse sentido, os jornalistas da AP devem tentar pedir amizade ou seguir pessoas “de ambos os lados de temas controversos”.

Estas novas regras provocaram uma onda de críticas, acusando a AP de não compreender como funciona o Twitter. A agência parece estar a ter dificuldade em lidar com a dimensão mais opinativa das redes sociais, tentando que os seus jornalistas continuem a (parecer) ser o mais imparciais possível. A lógica é que aquilo que um jornalista escreve neste tipo de fórum pode prejudicar a imagem de independência da organização.

Bloomberg, ESPN, Washington Post, Reuters e o brasileiro UOL já publicaram as suas regras. Em Portugal, os media ainda não deram atenção a este fenómeno, optando por não regular a forma como os jornalistas interagem nas redes sociais.

O que acha? Os jornalistas devem poder escrever o que querem no Twitter e no Facebook? Ou as organizações têm o direito de controlar a publicação dessas opiniões?

 

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2 respostas a Associated Press restringe interação de jornalistas nas redes sociais

  1. Pingback: Jornalistas e redes sociais | O dia inicial inteiro e limpo

  2. José Gabriel Quaresma diz:

    Parece-me óbvio. É uma posição censurável. Existem formas claras de identificar a posição e opiniões pessoais e profissionais. O direito a uma determinada imagem quem uma organização pretende passar não deve nunca colidir com o direito à livre opinião dos cidadãos. Os jornalistas são cidadãos, em primeiro lugar e sempre. E, tudo o que entre nessa esfera, enquanto condicionante do seu pensamento próprio é ilegítimo, imoral e inaceitável. Vai contra o princípio da liberdade.

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