Repórteres Sem Fronteiras preocupados com “politização” da TVE

A organização Repórteres Sem Fronteiras está preocupada com os afastamentos recentes de uma série de jornalistas da RTVE, a emissora pública espanhola.

“Todo o movimento de pessoal a acontecer dentro da RTVE parece confirmar os medos de uma reafirmação de controlo político expressos quando o método de nomeação dos directores foi mudado em Junho”, diz a ONG de defesa da liberdade de informação.

Foi em Abril que o Governo de direita de Mariano Rajoy alterou a lei de 2006 que obrigava a uma votação de dois terços no Parlamento para escolher os directores da RTVE – a maioria absoluta, de que o Partido Popular dispõe, passou a ser suficiente.

Seguiu-se a nomeação de Leopoldo González-Echenique para a presidência da RTVE, em Junho. Os RSF descrevem González-Echenique como “responsável numa administração do PP chefiada” pelo ex-primeiro-ministro José María Aznar – é advogado e teve funções nos ministérios do Interior e da Economia no início dos anos 2000, no segundo mandato de Aznar.

Depois desta nomeação foi a vez do afastamento do director de informação da TVE, Fran Llorente, e a sua substituição por Julio Samoano, antigo director da televisão local Telemadrid. Perto de 70% dos trabalhadores da TVE votaram contra esta nomeação.

Nos últimos dias foi afastada Alicia Montano, directora do programa Informe Semanal, e Xavier Fortes, jornalista do Canal 24 horas. E finalmente, Ana Pastor, apresentadora do programa de informação Los Desayunos de TVE, várias vezes acusada por membros do PP de ser demasiado dura com o Governo e simpática para a oposição socialista, foi a última baixa, no fim-de-semana.

“É triste ver os media estatais de novo a serem transformados em palco de batalha às custas do direito do público a notícias e informação diversificadas e equilibradas”, escrevem os Repórteres Sem Fronteiras. A organização conclui que a politização dos media estatais “está longe de ser um problema só de Espanha”, referindo Portugal, a par da Eslovénia e de França, como outros exemplos dentro da União Europeia.

O jornal The Guardian já escreveu sobre o tema, descrevendo as mudanças recentes na TVE como motivadas pelo questionamento “das políticas de austeridade de Rajoy” por parte dos jornalistas afastados. Num comentário publicado no site do mesmo jornal, o escritor e jornalista Miguel-Anxo Murado, diz que os jornalistas que têm saído da TVE são “os mais populares jornalistas do país”.

“Afastam-me por fazer jornalismo e por uma decisão política”, acusou Ana Pastor numa entrevista ao El País.

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