Trabalhadores da RTP criam comissão de luta contra a concessão

Os trabalhadores da RTP decidiram nesta quarta-feira criar uma comissão de luta para travar a cedência da emissora pública a privados através de uma concessão.

A decisão saiu de um plenário, que reuniu 600 trabalhadores, marcado depois de António Borges, consultor especial do Governo, ter dito que concessionar a RTP1 a um privado “é uma hipótese muito atraente sob vários pontos de vista”. Numa entrevista à TVI, Borges admitiu ainda que o destino da RTP 2 deverá ser o encerramento. “Muito provavelmente. É quase inevitável. É um serviço que custa extraordinariamente caro para uma audiência muitíssimo limitada.”

O plenário contou com a presença dos líderes das duas centrais sindicais, Arménio Carlos (CGTP) e João Proença (UGT); do realizador António Pedro Vasconcelos; do presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, João Lourenço; e de Coelho da Silva, do Conselho de Opinião da RTP. Todos se quiseram mostrar solidários com os trabalhadores na “luta pela defesa do serviço público”.

António Pedro Vasconcelos, um dos promotores de um manifesto contra a privatização da RTP lançado em Julho, apontou os riscos de “mais um canal comercial, que iria concorrer no mercado publicitário, ainda por cima pago pelos cidadãos”.

“Não haverá tabus, quer dizer, tudo será estudado de forma a habilitar o Governo a uma decisão bem informada”, garantiu entretanto o primeiro-ministro em Londres, onde esteve para assistir à abertura dos Jogos Paralímpicos. “Há um conjunto de consultores que foram recrutados pela RTP para fazer o estudo do processo de alienação que estava previsto no programa do executivo. No âmbito desse estudo não haverá tabus”, afirmou Pedro Passos Coelho em declarações aos jornalistas.

Horas antes do encontro marcado pela Comissão de Trabalhadores, o Conselho de Redacção da RTP voltou a manifestar-se contra a concessão de um canal e defendeu que um modelo em que o Estado dê “dinheiro directamente a um privado” pode “romper com todas as regras de mercado”.

Tanto o Conselho de Redacção como a Comissão de Trabalhadores iniciaram quarta-feira reuniões com os partidos. “Exortamos o Governo a rapidamente clarificar se essa proposta é a sua proposta e, se assim for, a traduzi-la num documento concreto entregue na Assembleia da República para que o debate possa ser feito, mas também para que essa proposta possa ser avaliada e possa passar no crivo do senhor Presidente da República, nós estamos convencidos de que a proposta não passará nesse crivo”, disse no fim do encontro com os trabalhadores o líder da bancada parlamentar do Partido Socialista, Carlos Zorrinho, citado pela Lusa.

Já na segunda-feira, o Conselho de Administração da RTP se afirmara  contra o modelo defendido por António Borges para a cedência da televisão pública aos privados. Em comunicado, o Conselho diz não reconhecer “os argumentos económicos de poupança para o Estado, apresentados publicamente, em favor deste cenário [concessão], quando comparados com os do Plano de Sustentabilidade Económica e Financeira”.

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