Perceber a disrupção nos media

As notícias sobre a morte dos media são naturalmente exageradas, mas é cada vez mais evidente que a indústria enfrenta os desafios típicos experimentados em tempos de disrupção tecnológica.

Clay Christensen, professor em Harvard, especialista em inovação e disrupções tecnológicas, tem-se dedicado nos últimos tempos a estudar a indústria dos media exactamente por entender que esta enfrenta um desses momentos em que se abre uma nova era.

Mathew Ingram traz-nos o relato de uma recente intervenção de Christensen em que este avisa que os incumbentes que agora dominam a indústria estão a cometer os erros típicos em momentos de disrupção: desvalorizam os inovadores e procuram soluções dentro da sua própria estrutura e lógica, falhando em reconhecer a dimensão das alterações estruturais em curso:

A key part of Christensen’s theory is that the incumbent players in a particular industry routinely fail to make the necessary changes to the way they do things, even when they can see the disruption occurring all around them. In almost every case, they see the disruptors as not worthy of their attention because they are operating at the low end of the market, and either don’t see that as important or are too committed to their existing business models.

(…)

Christensen also warned — as he has in the past, including in the report that he co-wrote last fall with Nieman Fellow David Skok, entitled “Breaking News” — that many existing players in the media business are trying to innovate within their traditional corporate structure, and that this almost always fails.

Há dias Mathew Ingram levou-nos também a um recente relatório do Pew Research Center que analisa quatro casos de sucesso de receita nos EUA (Naples Daily News, Santa Rosa Press Democrat, The Deseret News, Columbia Daily Herald). Entre as ideias centrais apresentadas Mark Jurkowitz e Amy Mitchell, investigadores do Pew, a posição mais provocadora para o debate sobre a disrupção nos media chega-nos da teoria da evolução dos media apresentada por Clark Gilbert, do Deseret News:

The legacy business is the crocodile, the prehistoric creature that will shrink, but can survive. The digital business is the mammal, the new life form designed to dominate the future. And they need to be managed apart.

Vale a pena ler as restantes das conclusões do Pew: diferenciar produtos e apostar em nichos, gestão independente entre digital e papel (editorialmente e na publicidade) e não desistir (necessariamente) do papel são apontadas como lições de sucesso numa indústria em profunda transformação.

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